sábado, 4 de outubro de 2008

DEUS SALVE OS CONCURSEIROS



Lembro-me quando tardiamente decidi que a partir daquele momento faria todos os concursos públicos que passassem a léguas de mim. Tenho que aqui confessar: sempre fui um concurseiro estranho, ora, quando sabia de um novo concurso saia a procura de candidatos para serem meus concorrentes. Eu era sempre bem sucedido em convencer meus conhecidos a se embrenharem nesta luta árdua que é ser um concurseiro oficial.
Um bom concurseiro precisa esquecer o verbo dormir e tem que aprender com as provas psicóticas elaboradas por doutores que pouco conhecem a nossa perversa realidade. Mas enfim, sempre incentivei meus colegas mais próximos a me acompanharem nesta luta ferrenha que é fugir do vício perverso da politicagem selvagem parambuense. Para o nosso “circulo intelectual” essa era - não sei se meus amigos ainda comungam com minhas idéias heréticas - e ainda deve ser meta suprema.
Hoje que tento me acostumar com a idéia de que fui convocado e que estou a trabalhar numa empresa pública. Torço para que meus colegas o mais cedo ingressem neste mundo tão “exótico”.
Lembro-me bem dos meus colegas mais emblemáticos. Peço licença a estes bravos jovens para citá-los, apesar de que talvez estes não me autorizassem - apesar de tudo vou arriscar. Primeiro falarei do Ricardo: Quem é o Ricardo? Sujeito acostumado com os ares do sul brasileiro, com certeza não merecia ter ido parar na pacata Parambu. Mas o destino lhe jogou ali e um dia, ainda me lembro, enquanto remexia livros na biblioteca me deparei com aquele jovem esquelético que me propunha parceria para estudos. Nasceria ali uma grande nova amizade, confesso que sempre achei os sonhos do meu amigo um pouco extravagantes demais pra mim um pessimista irrevogável, mas tenho que confessar que não me surpreenderei ao vê-lo numa ótima posição profissional, pois se ele não alcançar o sucesso é porque realmente o mundo estará perto de acabar.
A segunda pessoa é a Fátima: ela foi uma das poucas mulheres a se embrenhar corajosamente em nossos programas e ritmos de estudo - estranhos e extravagantes que nem meus sonhos. Nosso grupo de estudo sempre se preocupou com a democratização do conhecimento - novamente resquício dos meus anos de professor sonhador e que no futuro me transformaria num realista decepcionado - e a Fátima teve a coragem inovadora de se lançar junto conosco naquela peregrinação aos grandes centros na tentativa de passar num concurso. Hoje tenho pouco contato com ela, mas de uma coisa tenho certeza: ainda irei novamente à casa da sua mãe comer aquela galinhazinha caipira deliciosa.
O terceiro elemento chama-se Saulo, vulgo Digimon ou Vulgo. Cara chapa quente e meu mano - na realidade somos primos carnais. O Saulo é na realidade mais do que um amigo: desde a infância crescemos juntos, lembro-me muito bem dos tresvarios de nossa infância a assistir ao programa do Chaves e a nos embrenharmos no ramos da cirurgia em frangos de nossa vó. Não sei o que ele acha de mim, mas acredito que sempre fui um incentivador, pelos simples motivo de saber que ele é um gênio. Ele é daqueles caras que é capaz de fazer tudo. Dê-lhe uma tarefa ou desafio e lá estará ele virando noites para praticar com perfeição aquilo. Tirando o seu ódio a jogos e suas idéias neo-darwinianas, neo-marxistas, neo-... é uma cara sociável até demais.
O quarto elemento cabalístico chama-se Adriano. Outro rapaz do sul e que veio parar na terra natal de seus pais, justamente pela culpa de seus pais. Assim como o Ricardo ele achou aqui uma educação atrasada em relação a sua e métodos em desuso. Isso agira negativamente e o Adriano talvez tenha criado uma ojeriza aos estudos formais e sua peregrinação até a conclusão do Ensino Médio fora lenta. Este fora o concurseiro mais arredio e afastado dos que conviveram comigo. Ele, cara bastante culto e inovador, não ia muito com os métodos e sistemáticas malucas empregadas por nós. Sua inteligência refinada e suas opiniões por demais excêntricas - porém coerentes -, fizeram com que às vezes nem fizesse as provas. Espero que ele - um grande Nietzsche da vida - um dia se encontre e aprenda que o melhor da vida: é viver - não importa de que forma. Desculpem os meus meneios de auto-ajuda, prometo que não cometerei mais este deslize.
Muitos outros passaram de relance por nossas sessões. Vale destacar: Sidney, amigo de tantas pizzas travadas, quer dizer, de tantas lutas travadas.

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

ESTUDO SOBRE O ENSINO DA MATEMÁTICA NO 3º ANO DO ENSINO MÉDIO DA E.E.F.M. VIRGÍLIO TÁVORA:














ADRIANO OLIVEIRA DA SILVA
OZIMAR ALVES CUNHA
RICARDO NORONHA DE MENEZES
SAULO NOGUEIRA ALVES


PARAMBU – CEARÁ 2005


Trabalho apresentado como avaliação de Nota Parcial de Conhecimento na disciplina de Metodologia do Trabalho Científico, ministrada pelo Prof. Ms. Isaías Batista de Lima.



I - JUSTIFICATIVA
A partir de nossa experiência enquanto alunos e devido à constatação de facetas do problema (a causa da maneira dogmática da exposição das fórmulas matemáticas), despertou-se uma certa inquietação sobre quais seriam as origens e explicações lógicas para as fórmulas serem transmitidas sem as devidas explicações e se estas eram realmente passíveis de elucidações correspondentes ao nível cognitivo em que os alunos se encontravam. Foi escolhido então como campo de pesquisa o 3º ano do ensino médio por se tratar da etapa final do ensino e pelos conteúdos referentes a este serem conseqüência de um aprendizado adquirido nas séries anteriores. Com a hipotética existência do referido problema, os estudantes alvos da pesquisa são os melhores indicadores da possível existência do mesmo.
Decidiu-se tratar o problema numa abordagem matemática basicamente por esta pertencer ao nosso campo de estudo e por possibilitar a sua aplicabilidade como ferramenta de análise de dados.
Com isso acredita-se que este estudo, pelo menos, possibilite o entendimento da questão da mistificação da matemática, pondo em questionamento a atual metodologia aplicada para a mesma e por contribuir para uma possível melhoria do ensino desta disciplina, considerando também que essa pesquisa servirá para esclarecer em parte a inquietação primeira que gerou a nossa investigação.
Levou-se em consideração o abalizado trabalho de João Pedro da Ponte
[1] (2005, p. 4), que conclui taxativamente: “O insucesso em Matemática não depende apenas das características da disciplina nem das concepções dominantes acerca da sua aprendizagem. (...)”. E acrescenta:
... é fundamental perceber-se que não são as características supostamente intrínsecas e “imutáveis” da Matemática que constituem a principal razão de ser do agravamento do insucesso nesta disciplina. É o papel social que lhe é atribuído, é o modo como com ela se relacionam os diversos atores e é por eles vista. (...) (PONTE, 2005: p. 4)

Com certeza este projeto é uma tentativa de elevar o nível do ensino de matemática na cidade de Parambu, haja vista que por vários anos e, ainda hoje, a mesma sofre com a deficiência de profissionais na área de matemática e que de certa forma leva ao desinteresse e ineficiência do ensino desta disciplina.
II - DELIMITAÇÃO DA PROBLEMÁTICA
A pesquisa será centrada na questão do ensino da matemática, tendo como foco a investigação de como os seus conceitos mais complexos são expostos, se os mesmos são elucidados e se são explicadas as suas origens.
Apesar da pesquisa nos remeter à questões pedagógicas, à abordaremos numa visão matemática, analisando o problema estatisticamente, através de aferições aplicadas aos alunos e sondagens quanto a metodologia empregada pelos professores.
Por esta ótica primeiramente observaremos se os professores têm a capacitação profissional (licenciatura em matemática), que possibilite a plena exposição do currículo, principalmente no que diz respeito à origem e comprovação matemática das fórmulas, e se existe interferência do compromisso do professor ao ensinar aos alunos e se os currículos são adequados ao tempo que o professor dispõe. Porém, a análise do currículo a ser exposto e a da prática pedagógica do corpo docente não são suficientes para encontrarmos as possíveis causas do problema que tratamos, então, nos cabe ainda verificar se os alunos possuem os conhecimentos pré-requisitados pelo currículo ora exposto, e se esses vêem valor prático dos conhecimentos em estudo e até que ponto sentem-se motivados para apreensão dos mesmos. E, por último, até que ponto a precariedade ou inexistência de materiais didáticos afetam a aprendizagem dos alunos ou até mesmo se impossibilitam o tão necessário estudo extra-classe.
Uma das possíveis causas que leva a exposição das fórmulas matemática de maneira pronta e acabada é a desqualificação profissional, onde professores formados em outras áreas acabam lecionando matemática sem a menor preparação para a mesma, é importante observar também que a dimensão quantitativa do currículo pode levar a uma apresentação superficial da matéria, assim o professor é obrigado a repassar os conteúdos básicos e de forma que possam ser assimilados em um menor espaço de tempo e com uma menor necessidade de bases sólidas, essas bases que teoricamente o aluno teria que trazer do ensino fundamental, acaba tendo que ser refeitas pelos professores do ensino médio, tornando assim, e por efeito cascata, ambos deficitários. Outro motivo, que pode levar à ocorrência do problema pode está na heterogeneidade dos níveis cognitivos dos alunos, ou seja, uma parte da turma detém o conhecimento necessário para que o professor se aprofunde na explanação do conteúdo, enquanto a outra parte não tem embasamento teórico para que viabilize esse aprofundamento, essa “desigualdade” poderá fazer com que o professor se preocupe em fornecer aqueles conhecimentos básicos que estão em déficit numa das parcelas da turma, deixando assim para segundo plano abordagens um pouco mais complexas como por exemplo: demonstração de formulas; aplicabilidade prática; etc.


III – OBJETIVOS

– OBJETIVO GERAL
Ø Investigar a execução de didáticas praticadas na disciplina matemática nas turmas do 3º ano do ensino médio da E.E.F.M. Virgílio Távora.

– OBJETIVOS ESPECÍFICOS
Ø Identificar a possível exposição dogmática das fórmulas na disciplina de matemática e se essa se mostrar verídica, indagar quais são as causas do problema;
Ø Verificar até que ponto o grau de desqualificação do professor interfere na demonstração lúcida da origem de uma determinada fórmula;
Ø Averiguar os diferentes níveis de conhecimento sobre matemática que há entre os estudantes;
Ø Avaliar até onde esta variação cognitiva contribui para o desinteresse e para pouca participação por parte dos alunos no decorrer das aulas;
Ø Medir a quantidade de alunos que se sentem coibidos quando, no passado ou no presente, expuseram suas dúvidas e questionamentos e não obtiveram êxito;
Ø Avaliar a utilidade do Cálculo na elucidação de fórmulas e conteúdos;Estudar sobre a inclusão e, consequentemente, uma adequação do Cálculo Integral e Diferencial ao currículo do ensino médio.
[1] No artigo Matemática: Uma disciplina condenada ao insucesso?




IV – CRONOGRAMA DE ATIVIDADES




// suprimido //




V – REFERENCIAIS BIBLIOGRÁFICOS

PONTE, João Pedro da; Matemática: Uma disciplina condenada ao insucesso? Lisboa, Portugal: Departamento de Educação da Faculdade de Ciências de Lisboa, 2005.
_______. A Educação Matemática em Portugal: Os Primeiros Passos duma Comunidade de Investigação. Quadrante. Lisboa, Portugal, n. ???, p. 1-31, Departamento de Educação da Faculdade de Ciências de Lisboa, 2005.
SEGURADO, Irene; PONTE, João Pedro da; Concepções sobre a Matemática e trabalho investigativo. Lisboa, Portugal: Departamento de Educação da Faculdade de Ciências de Lisboa e Centro de Investigação em Educação, 2005.
IEZZI, Gelson, et al., Matemática: volume único: manual do professor, São Paulo: Atual Editora, 1997.
MAOR, Eli (trad. Jorge Calife), e: a história de um número, 2ª ed., Rio de Janeiro: Record, 2004.