
Lembro-me quando tardiamente decidi que a partir daquele momento faria todos os concursos públicos que passassem a léguas de mim. Tenho que aqui confessar: sempre fui um concurseiro estranho, ora, quando sabia de um novo concurso saia a procura de candidatos para serem meus concorrentes. Eu era sempre bem sucedido em convencer meus conhecidos a se embrenharem nesta luta árdua que é ser um concurseiro oficial.
Um bom concurseiro precisa esquecer o verbo dormir e tem que aprender com as provas psicóticas elaboradas por doutores que pouco conhecem a nossa perversa realidade. Mas enfim, sempre incentivei meus colegas mais próximos a me acompanharem nesta luta ferrenha que é fugir do vício perverso da politicagem selvagem parambuense. Para o nosso “circulo intelectual” essa era - não sei se meus amigos ainda comungam com minhas idéias heréticas - e ainda deve ser meta suprema.
Hoje que tento me acostumar com a idéia de que fui convocado e que estou a trabalhar numa empresa pública. Torço para que meus colegas o mais cedo ingressem neste mundo tão “exótico”.
Lembro-me bem dos meus colegas mais emblemáticos. Peço licença a estes bravos jovens para citá-los, apesar de que talvez estes não me autorizassem - apesar de tudo vou arriscar. Primeiro falarei do Ricardo: Quem é o Ricardo? Sujeito acostumado com os ares do sul brasileiro, com certeza não merecia ter ido parar na pacata Parambu. Mas o destino lhe jogou ali e um dia, ainda me lembro, enquanto remexia livros na biblioteca me deparei com aquele jovem esquelético que me propunha parceria para estudos. Nasceria ali uma grande nova amizade, confesso que sempre achei os sonhos do meu amigo um pouco extravagantes demais pra mim um pessimista irrevogável, mas tenho que confessar que não me surpreenderei ao vê-lo numa ótima posição profissional, pois se ele não alcançar o sucesso é porque realmente o mundo estará perto de acabar.
A segunda pessoa é a Fátima: ela foi uma das poucas mulheres a se embrenhar corajosamente em nossos programas e ritmos de estudo - estranhos e extravagantes que nem meus sonhos. Nosso grupo de estudo sempre se preocupou com a democratização do conhecimento - novamente resquício dos meus anos de professor sonhador e que no futuro me transformaria num realista decepcionado - e a Fátima teve a coragem inovadora de se lançar junto conosco naquela peregrinação aos grandes centros na tentativa de passar num concurso. Hoje tenho pouco contato com ela, mas de uma coisa tenho certeza: ainda irei novamente à casa da sua mãe comer aquela galinhazinha caipira deliciosa.
O terceiro elemento chama-se Saulo, vulgo Digimon ou Vulgo. Cara chapa quente e meu mano - na realidade somos primos carnais. O Saulo é na realidade mais do que um amigo: desde a infância crescemos juntos, lembro-me muito bem dos tresvarios de nossa infância a assistir ao programa do Chaves e a nos embrenharmos no ramos da cirurgia em frangos de nossa vó. Não sei o que ele acha de mim, mas acredito que sempre fui um incentivador, pelos simples motivo de saber que ele é um gênio. Ele é daqueles caras que é capaz de fazer tudo. Dê-lhe uma tarefa ou desafio e lá estará ele virando noites para praticar com perfeição aquilo. Tirando o seu ódio a jogos e suas idéias neo-darwinianas, neo-marxistas, neo-... é uma cara sociável até demais.
O quarto elemento cabalístico chama-se Adriano. Outro rapaz do sul e que veio parar na terra natal de seus pais, justamente pela culpa de seus pais. Assim como o Ricardo ele achou aqui uma educação atrasada em relação a sua e métodos em desuso. Isso agira negativamente e o Adriano talvez tenha criado uma ojeriza aos estudos formais e sua peregrinação até a conclusão do Ensino Médio fora lenta. Este fora o concurseiro mais arredio e afastado dos que conviveram comigo. Ele, cara bastante culto e inovador, não ia muito com os métodos e sistemáticas malucas empregadas por nós. Sua inteligência refinada e suas opiniões por demais excêntricas - porém coerentes -, fizeram com que às vezes nem fizesse as provas. Espero que ele - um grande Nietzsche da vida - um dia se encontre e aprenda que o melhor da vida: é viver - não importa de que forma. Desculpem os meus meneios de auto-ajuda, prometo que não cometerei mais este deslize.
Muitos outros passaram de relance por nossas sessões. Vale destacar: Sidney, amigo de tantas pizzas travadas, quer dizer, de tantas lutas travadas.
Um bom concurseiro precisa esquecer o verbo dormir e tem que aprender com as provas psicóticas elaboradas por doutores que pouco conhecem a nossa perversa realidade. Mas enfim, sempre incentivei meus colegas mais próximos a me acompanharem nesta luta ferrenha que é fugir do vício perverso da politicagem selvagem parambuense. Para o nosso “circulo intelectual” essa era - não sei se meus amigos ainda comungam com minhas idéias heréticas - e ainda deve ser meta suprema.
Hoje que tento me acostumar com a idéia de que fui convocado e que estou a trabalhar numa empresa pública. Torço para que meus colegas o mais cedo ingressem neste mundo tão “exótico”.
Lembro-me bem dos meus colegas mais emblemáticos. Peço licença a estes bravos jovens para citá-los, apesar de que talvez estes não me autorizassem - apesar de tudo vou arriscar. Primeiro falarei do Ricardo: Quem é o Ricardo? Sujeito acostumado com os ares do sul brasileiro, com certeza não merecia ter ido parar na pacata Parambu. Mas o destino lhe jogou ali e um dia, ainda me lembro, enquanto remexia livros na biblioteca me deparei com aquele jovem esquelético que me propunha parceria para estudos. Nasceria ali uma grande nova amizade, confesso que sempre achei os sonhos do meu amigo um pouco extravagantes demais pra mim um pessimista irrevogável, mas tenho que confessar que não me surpreenderei ao vê-lo numa ótima posição profissional, pois se ele não alcançar o sucesso é porque realmente o mundo estará perto de acabar.
A segunda pessoa é a Fátima: ela foi uma das poucas mulheres a se embrenhar corajosamente em nossos programas e ritmos de estudo - estranhos e extravagantes que nem meus sonhos. Nosso grupo de estudo sempre se preocupou com a democratização do conhecimento - novamente resquício dos meus anos de professor sonhador e que no futuro me transformaria num realista decepcionado - e a Fátima teve a coragem inovadora de se lançar junto conosco naquela peregrinação aos grandes centros na tentativa de passar num concurso. Hoje tenho pouco contato com ela, mas de uma coisa tenho certeza: ainda irei novamente à casa da sua mãe comer aquela galinhazinha caipira deliciosa.
O terceiro elemento chama-se Saulo, vulgo Digimon ou Vulgo. Cara chapa quente e meu mano - na realidade somos primos carnais. O Saulo é na realidade mais do que um amigo: desde a infância crescemos juntos, lembro-me muito bem dos tresvarios de nossa infância a assistir ao programa do Chaves e a nos embrenharmos no ramos da cirurgia em frangos de nossa vó. Não sei o que ele acha de mim, mas acredito que sempre fui um incentivador, pelos simples motivo de saber que ele é um gênio. Ele é daqueles caras que é capaz de fazer tudo. Dê-lhe uma tarefa ou desafio e lá estará ele virando noites para praticar com perfeição aquilo. Tirando o seu ódio a jogos e suas idéias neo-darwinianas, neo-marxistas, neo-... é uma cara sociável até demais.
O quarto elemento cabalístico chama-se Adriano. Outro rapaz do sul e que veio parar na terra natal de seus pais, justamente pela culpa de seus pais. Assim como o Ricardo ele achou aqui uma educação atrasada em relação a sua e métodos em desuso. Isso agira negativamente e o Adriano talvez tenha criado uma ojeriza aos estudos formais e sua peregrinação até a conclusão do Ensino Médio fora lenta. Este fora o concurseiro mais arredio e afastado dos que conviveram comigo. Ele, cara bastante culto e inovador, não ia muito com os métodos e sistemáticas malucas empregadas por nós. Sua inteligência refinada e suas opiniões por demais excêntricas - porém coerentes -, fizeram com que às vezes nem fizesse as provas. Espero que ele - um grande Nietzsche da vida - um dia se encontre e aprenda que o melhor da vida: é viver - não importa de que forma. Desculpem os meus meneios de auto-ajuda, prometo que não cometerei mais este deslize.
Muitos outros passaram de relance por nossas sessões. Vale destacar: Sidney, amigo de tantas pizzas travadas, quer dizer, de tantas lutas travadas.
